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O AVESTRUZ
 

A criação Comercial de Avestruzes

Introdução:
O Avestruz já vem sendo criado no Brasil há alguns anos como animal de Zoológico, mas não para fins produtivos. Várias tentativas haviam sido feitas neste sentido, mas a falta de informações e experiência com o animal levaram estes ensaios ao fracasso, criando-se a falsa concepção de que o Avestruz é um animal frágil e difícil de ser criado . Em maio de 1995, a NovAvis Avestruzes do Brasil Ltda, contando com conhecimentos técnicos adquiridos no exterior, implantou em Bragança Paulista (SP) o primeiro criatório comercial de avestruzes do Brasil. O objetivo principal deste operação é a difusão da exploração comercial do animal – a exemplo do que vem ocorrendo com grandes sucessos nos Estados Unidos, África, Europa, Isrrael e Austrália – despertando o interesse do mercado nacional para os seus principais produtos: carne, couro e plumas.

A criação comercial de avestruzes não é difícil, é preciso conhecer as técnicas adequadas. Cada animal tem necessidades específicas em termos de instalações, manejo, alimentação etc. . A maior dificuldade encontrada hoje pelos novatos nessa criação aqui no Brasil é falta de técnicos preparados que dêem assistência ao criatório.

A escolha de iniciar-se nessa nova atividade econômica deve ser feita com conhecimentos não só das vantagens mas também de todas as potencialidades e desafios encontrados hoje no Brasil.

Histórico da criação
O Avestruz começou a ser criado na África do Sul, na metade do século passado, para produção de plumas. Era uma criação extensiva, os animais não eram abatidos, as plumas eram cortadas dias vezes por ano e exportadas para a Europa e Estados Unidos. O animal foi introduzido na Austrália no século passado para exploração comercial. A criação foi abandonada no início deste século, os animais ficaram soltos e se tornaram selvagens. No início do século XX (com a I e II Guerra Mundiais e a quebra da bolsa dos EUA) houve um colapso do mercado de plumas; por alguns anos a criação de avestruzes ficou desprovida de interesse econômico. Na década de 60 começou a desenvolver-se novamente graças a valorizações de outros produtos do animal: a carne e o couro.

Atualmente a África do Sul tem o maior plantel no mundo, por ser o avestruz originário dessa região e por ser este o pais que primeiro iniciou a criação comercial há cerca de 100-150 anos. O segundo maior plantel está nos Estados Unidos, mas também a Austrália, Israel, Canadá e outros países têm um número considerável de animais.

Distribuição geográfica e diferentes raças
O avestruz é originário da África (Namíbia, Botswana, África do Sul).

Comercialmente se definem 3 raças de "avestruz": black nec (ou pescoço preto), red nec (pescoço vermelho) e blue nec (pescoço azul). Esta classificação se baseia na coloração de pele dos adultos. Na verdade todos apresentam a mesma coloração das plumas ( machos pretos e fêmeas cinza). O avestruz black nec ( também conhecido como African black) é na verdade um animal domesticado, fruta da seleção enpírica feita pelos sul-africanos ao longo dos últimos 150 anos. Os animais foram selecionados em base a certas características produtivas:

Maior fertilidade e precocidade (maior número de ovos, início da postura mais cedo);
Docilidade (manejo mais simples);
Alta densidade de plumas.
As "raças" red e blue nec são de maior porte, mas iniciam a postura mais tarde e são agerssivas. Hoje não se pode dizer que uma raça seja melhor do que a outra: nos EUA, os criadores de Red e Blue Nec denigrem o African black e os criadores do African black denigrem os "coloridos"... Há muito trabalho a ser feito em termos de melhoramento genético cruzando as diferentes raças.

Classificação:
Podemos incluir o avestruz no grupo das ratitas, aves corredoras de grande porte (como a Ema, o Meu e o Casuar). O termo "ratitas" vem do latim, significando "jangada". O esterno dessas aves é plano, desprovido de carena, ao contrário das aves voadoras. A carena, nas aves voadoras, é sede de inserção dos potentes músculos peitorais. O avestruz, não é uma ave voadora, logo, não tem peitorais desenvolvidos como um pato ou uma galinha. Deste fato decorre uma importante peculiaridade produtiva do avestruz: a maior quantidade de carne produzida não estará no peito mas nas coxas, já que se trata de animal corredor.

No grupo da ratitas temos:
O avestruz (Struthio camelus australis), originário da África do Sul;
A ema, encontrada na América do Sul ( Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai);
O casuar, natural da Nova Guiné;
O meu australiano.


Características:
Grande porte, alcançando quando adulto de 2 a 2,5 m de altura e de 100 a 150Kg de peso;
Temperatura corpórea 38-39 Cº (é uma temperatura baixa para ave, a galinha por exemplo, tem um temperatura corpórea em torno de 40-41 Cº);
Aparelho digestivo semelhante ao de ruminantes (sem papo, 2 estômagos, 2 cecos e intestinos longos, digestão bacteriana);
Asas rudimentares, não voam;
Animal corredor (atingindo até 60Km/h);
Pernas longas;
Vida longa (50 a 70 anos de vida), contando de 20 a 40 anos de vida reprodutiva;
Início da vida reprodutiva com 2-3 anos; há, contudo, relatos de avestruzes criados em zoológicos no Brasil que iniciaram a postura com 18 meses;
Dimorfismo sexual marcado: nos adultos o macho é preto com as pontas das asas brancas e a fêmea é cinza, tal diferença só a partir de 1 ano e meio de idade;
O pé tem dois dedos, dos quais apenas um com unha.
Ambiente:

Originário das regiões semi-áridas, planas (savana africana), na altura do Trópico de Capricórnio;
Tem uma ótima capacidade de adaptação (criado com sucesso no Canadá, Estados Unidos Europa, Israel) suportando altas e baixas temperaturas.

Comportamento
No estado selvagem:

Vive em bandos separados de machos e fêmeas.
Durante a temporada reprodutiva os machos formam haréns em que há uma fêmea dominante.
A fêmea choca os ovos durante o dia e o macho durante a noite.
Em cativeiro:

O manejo pode reproduzir organização no estado selvagem, com o macho sendo posto num piquete com uma ou mais fêmeas. Contudo uma das fêmeas será predominante, ou seja, será mais coberta pelo macho. As outras fêmeas serão menos cobertas e conseqüentemente botarão menos ovos fecundados (que não gerarão filhotes).
Por este motivo não convém por muitas fêmeas para um só macho; em geral nos criatórios comerciais os animais são postos em piquetes formando casais ou no máximo trios (um macho e uma fêmea ou 2 fêmeas).

Produtos:
Plumas - produto muito conhecido no Brasil, mas utilizado desde a antigüidade. O maior produtor é a África do Sul, o mercado consumidor está na Europa, Ásia e Américas, sendo o Brasil um dos maiores consumidores, principalmente no carnaval para adornos e fantasias) e para fazer espanadores. As plumas do avestruz são classificadas cm vários tipos (as mais curtas usa—as nos espanadores, as mais bonitas e longas usadas nos adornos), com valor variando de USS 27 a USS 160/Kg,. No Brasil temos um mercado seguro para as plumas, mas este não é o produto mais interessante do avestruz.

Carne - É o produto que está dando maior impulso à criação comercial de avestruzes atualmente. Apesar de ter sido consumida c apreciada desde a antigüidade, a carne hoje está sendo redescoberta por ser semelhante à carne de bovinos em termos de aspecto, sabor e textura, mas com a vantagem de ter baixos teores de colesterol e gorduras (sua composição é semelhante a carnes brancas como frango ou peru). Esta característica da carne se deve à distribuição das gorduras no organismo do animal: estas se localizam em volta do estômago e sob a pele, propiciando cortes de carne magra e couro extremamente macio.

Atualmente o maior mercado consumidor está nos Estados Unidos e Europa. A Suíça por exemplo importa 200-300 toneladas por ano de carne de avestruz. No Brasil existe um grande interesse por carnes exóticas, e a carne de avestruz inicialmente se introduziria neste setor.

Couro - É um outro produto muito interessante que vem encontrando grande aceitação no mercado internacional. Cada animal irá produzir de 1,2 a 1,5 m2 de couro de fácil extração e curtimento, que aceita bem várias colorações e é naturalmente decorado por causa dos orifícios dos cálamos. O valor europeu do couro é de cerca de USS 200 a USS 300 por peça de couro cru e de USS 500 a USS 600 pelo couro tratado.

Ovos - pesam de 1.200 a 1800g. O seu sabor é muito semelhante ao ovo de galinha. Hoje não se consome porque fará nascer um pintinho que vale muito mais.

Produtividade
O avestruz alcança o peso de abate (100 a 120 Kg) por volta de 12 meses de idade, produzindo em média de 30 a 40Kg de carne: 15Kg de carne de primeira, ou seja, de pedaços mais inteiros (tipo filé) e 15Kg de carne de segunda, assim chamada não por tratar-se de carne de menor qualidade em termos de composição ou maciez, mas, porque vem mais picadinha, sendo ideal para a preparação de pratos tipo strogonoff ou hamburgers.

Nos Estados Unidos um animal abatido com 100-120Kg rende cerca de USS 400 pela

carne, USS 250 pelo couro e USS 100 pelas plumas, totalizando USS 750.

O rendimento por animal abatido é proporcionalmente baixo (30% do peso vivo) se comparado com o rendimento de bovinos, mas este fato é largamente compensa—o pela grande produção anual de filhotes. Enquanto uma vaca produz um bezerro por ano, que vai para o abate com 2 ou 3 anos, uma fêmea de avestruz produz em média 30 filhotes por ano, fornecendo de 800 a 1200Kg de carne por fêmea/ano.

Estes são os motivos que justificam o enorme sucesso que está encontrando a criação comercial de avestruzes em outros países: trata-se de um animal que gera em quantidade produtos de primeira qualidade com baixos custos de produção, já que não requer muitas construções ou estruturas.

Cria: de 0 a 3 meses
lnstalações, manejo e alimentação:

. mantê-los abrigados à noite ou quando chove, em galpão coberto, de pelo menos 20 m2 (6-10m2/animal);

. aquecidos com campânulas a gás se a temperatura é inferior a 20ºC;

. piquete ao ar livre de 50 m2 para 4-6 animais.

. jejum nos primeiros 2 a 5 dias;

. ração com 22% de proteína

. introduzir pasto aos poucos a partir do 1º mês.

Patologias:
Um avestruzinho saudável está sempre em movimento, ciscando no chão, andando, correndo em grupo com a cabeça bem alta. Se um animal fica parado (em pé ou sentado), anda com a cabeça baixa, se isola do grupo e fica piando, provavelmente está doente. Apresentamos a seguir os problemas mais comuns enfrentados nesta fase de desenvolvimento e algumas sugestões de tratamento. a mortalidade nesta fase é em tomo de 30%. Manejo e alimentação adequados podem melhorar os resultados produtivos, mas poucos criatórios, no mundo todo, conseguem taxas de mortalidade inferiores a 20%.

. incompleta absorção do saco vitelino - com conseqüente infecção e morte do animal - é um dos maiores problemas encontrados nos primeiros 15 dias de vida.

. deformidades nas patas: decorrentes do intenso período de crescimento dos filhotes; temos rotação de dedos, perna ou coxa, ou deformidades nos ossos ou articulações. A solução é difícil: a colocação de talas, cirurgia ou o uso de suplementos minerais não reverte uma deformidade já instalada.

. entorses, deslocamentos, traumatismos: massagear a parte afetada com Calminex pomada.

. apatia, anda com a cabeça baixa: antibiótico terapia + soro.

. diarréia (fezes muito moles, misturadas com a urina): se o animal está bem, ativo, pode ser excesso de grama => diminua a quantidade de grama.

. se o animal está apático, de cabeça baixa: antibiótico terapia + soro

OBS:

. a coprofagia (ingestão de fezes) é normal em todas as idades. Ajuda a formar a flora bacteriana do animal.

Recria: de 3 a 12 - 18 meses
Instalações, manejo e alimentação:

. piquetes longos e estreitos pelos quais os avestruzes precisam correr para desenvolverem massa muscular e crescerem fortes c saudáveis.

. base de pasto resistente ao pisoteio, porque eles pastam o dia inteiro. A alfafa por exemplo é um ótimo pasto, tem muita proteína, mas não suporta a presença constante de animais adultos. Em geral os animais ficam num piquete com outra base de pasto, por exemplo brachiária, e se dá a alfafa picada.

. machos e fêmeas podem ficar juntos em áreas de 100 m2 por cabeça.

. um animal adulto consome cerca de 1 a 1,5Kg de ração por dia (níveis de proteína de 16%).

. fibras frescas (pasto no piquete ou dado 2-4 vezes por dia)

. consomem cerca de 10 litros de água por dia, não é preciso ter um lago, mas bebedouros sempre com água disponível.

Patologias:
. Traumatismos: podem acontecer em animais pequenos, devido ao uso de estruturas inadequadas (piso escorregadio, degraus), mas é problema típico de animais maiores. Muita atenção deve ser posta na construção dos piquetes, para evitar a presença de pontas ou farpas nas estruturas ou no chão. Cercas de arame farpado são terminantemente proibidas.

. Perfuração digestiva: são animais vorazes e sem paladar, podendo comer qualquer coisa (parafusos, pregos, pedaços de madeira, pregadores de roupa). A ingestão pode causar perfuração digestiva e morte.

. Oclusão digestiva: devido a stress, podem ingerir grandes quantidades de alimento ou de outros materiais com interrupção do trânsito digestivo e morte em poucas horas. Cuidado com a introdução de novos materiais ou materiais estranhos nos piquetes.

. Doenças infecciosas: trata-se de espécie robusta, recém introduzida no território e criada em boas condições sanitárias. Maior atenção deve ser dada ao aparecimento de micoses sob os dedos dos pés e a parasitoses intestinais.

Reprodução
Instalações, manejo e alimentação:

. início da postura aos 2 anos, vida reprodutiva de 20 a 30 anos. No Brasil, em zoológicos, há animais que começaram a botar ovos com 18 meses.

. média de 60 ovos por ano. Há fêmeas que chegam a botar mais de 100 ovos por temporada reprodutiva.

. temporada reprodutiva, neste hemisfério, de setembro a março, colocando um ovo a cada 2 dias (coloca por um mês, para uns dias, recomeça, para, etc.)

. fora da temporada, machos e fêmeas ficam em piquetes separados. No início da primavera são formados os grupos de reprodutores sempre levando em conta a relação macho/fêmea que propicia a melhor produtividade em termos de ovos fecundados (casais ou trios).

. piquetes de 400-500m2/animal (20 x 50m para um casal=1.000 m2), em terreno com boa drenagem, pouca inclinação e com porteira.

. alambrado (malha de 3 polegadas) com 1,7m de altura;

. eventualmente, corredor de 2m de largura e cerca externa de alambrado de 1,5m de altura;

. área coberta (sapé, brasilit ou telhas) para manjedouras e comedouros, de 3 X 4m e altura mínima de 2,50m, preferivelmente com porteira para confinamento temporário dos animais;

. com pastagem resistente ao pisoteio (brachiária, por exemplo);

. ração com 20 a 22% de proteína e suplementação de cálcio.

Postura:
. Peso do ovo: de 1200 a 1800 gramas.

. Pode-se colocar areia à disposição dos animais para que façam um ninho, mas eles nem sempre o fazem.

. O ovo, deve ser coletado o mais rápido possível para evitar contaminação. Os ovos coletados são armazenados em ambiente fresco e limpo e colocados nas incubadoras uma vez por semana. É desaconselhável deixar os ovos em "descanso" por mais de uma semana, pois há risco de morte embrionária e conseqüente diminuição da taxa de eclosão.

. o avestruz não é um animal particularmente agressivo, mas tem um forte instinto de defesa do seu território e dos ovos. É preciso construir instalações que facilitem a coleta dos ovos e o manejo dos reprodutores, evitando riscos inúteis para pessoas e animais.

Incubação:
. A incubação dura cerca de 42 dias, com temperatura de 36 ºC a 37 ºC e umidade relativa do ar entre 20 e 60%.

. vantagens da incubação artificial: maiores taxas de eclosão; a fêmea não interromperá a postura para chocar os ovos e cuidar dos recém nascidos.

. primeira ovoscopia em torno da segunda semana para avaliar se há desenvolvimento embrionário. Em caso negativo o ovo deve ser retirado da incubadora por que pode ser fonte de proliferação bacteriana e de infecção para os outros ovos. Acompanha-se o desenvolvimento do embrião com o ovoscópio a cada 1 ou 2 semanas.

. viragem automática de 2 em 2 horas.

. O período de eclosão dura cerca de 2 dias, com temperatura um pouco menor e umidade relativa um pouco maior que no período de incubação. Durante este período interrompe-se a virada dos ovos.

Problemas:
. diminuição da taxa de eclosão, decorrentes de:

infecção dentro da própria incubadora, com morte embrionária;

má posição do embrião dentro do ovo, com dificuldade em romper a casca e morte nas horas que imediatamente antecedem ou sucedem a eclosão.

O criador inexperiente pode terceirizar a incubação dos ovos produzidos na sua propriedade, recorrendo a granjas bem equipadas e com técnicos preparados. O produtor economiza em investimentos na construção do incubatório e aproveita da experiência de criadores especializados.

Mercado:
. Hoje ninguém vende os produtos do avestruz no Brasil porque o número de criatórios comerciais é muito pequeno.

. Passarão vários anos até que exista um número suficiente de animais no Brasil e se possa começar a abater e vender os produtos.

. Nos EUA demoraram 20 anos p/ começar a abater. Na ltália cria-se avestruz desde 79 e ainda não há abatedouros.

. Enquanto não há abate se vendem pintinhos de avestruz para reprodução.

 
 
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